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Infeção do Trato Urinário – como a alimentação pode ajudar?

As infeções do trato urinário (ITU) são o segundo processo infecioso, a seguir às infeções pulmonares, com maior incidência. Elas ocorrem quando uma bactéria patogénica entra na uretra provocando infeção e inflamação (uretrite) que habitualmente chegam à bexiga (cistite).



Os rins também poderão ficar afetados (pielonefrite), embora seja menos frequente. Estas infeções são mais frequentes na população feminina, derivado da sua estrutura anatómica, e a cistite (ITU não complicada) representa cerca de 90% das ITU na mulher, sendo as estirpes bacterianas mais frequentes as Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae e Proteus mirabilis.

Para além do tratamento farmacológico, muito se ouve falar na importância da alimentação não só para a prevenção mas também para a melhoria da sintomatologia de uma infeção urinária. Mas como pode a alimentação ajudar?


A hidratação é importante na prevenção das ITU na medida em que permite com que as bactérias não permaneçam muito tempo na bexiga, expelindo-as. A ingestão de água poderá ser feita através de bebidas (p.e. água, chá) ou pelo consumo dos alimentos. As recomendações relativas à ingestão adequada são de 2,5L/dia para homens e 2L/dia para mulheres.


O consumo de arandos, sob a forma de sumo ou suplemento alimentar, tem sido bastante falado na prevenção destas infeções. Neste tópico a comunidade científica diverge muito na sua opinião. Este fruto vermelho é rico em polifenóis e pro-antocianinas, compostos que em testes in vitro demonstraram poder interferir com a adesão das bactérias às células epiteliais do trato urinário e consequentemente suprimir a evolução da inflamação. Aparentemente pelas suas propriedades, o consumo de arandos parece ter um grande potencial enquanto abordagem não farmacológica no entanto, são necessários estudos de maior qualidade para podermos aferi-lo com base na evidência científica.


Outro componente em estudo é o monossacárido D-manose, tem vindo a demonstrar eficácia na inibição da aderência bacteriana responsável pela infeção pelo aumento da excreção da bactéria pela urina.


Os probióticos também poderão ter um efeito benéfico na prevenção de ITU, no entanto os estudos são limitados e divergentes em resultados. A microbiota vaginal saudável contém, em número elevado, diversas espécies Lactobacillus e a sua diminuição favorece o aparecimento de infeções, na medida em que poderão prevenir a aderência, crescimento e colonização das bactérias uropatogénicas. Uma das estirpes mais frequentes na cistite é a Escherichia coli e estudos revelam que os Lactobacillus têm um forte poder inibitório sobre esta bactéria patogénica.


Uma dieta rica em fibras também tem demonstrado ser eficaz na prevenção de ITU recorrentes, especialmente em pessoas obstipadas (fator de risco nestas infeções). Esta associação benéfica ainda não foi estabelecida pelos estudos no entanto o aumento do consumo de fibras em pessoas com alimentação pobre em fibras parece ser uma estratégia potencialmente benéfica.


O aumento da resistência a antibióticos leva a comunidade científica a procurar por alternativas para o combate a determinadas infeções. Nas cistites, infeções urinárias mais comuns, fala-se em várias estratégias de profilaxia como referido neste artigo porém ainda são necessários mais estudos, e de melhor qualidade, para comprovar a sua eficácia. Acima de tudo deverá ter uma alimentação equilibrada, rica em fibra e uma hidratação adequada.


Bibliografia


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https://journals.lww.com/nutritiontodayonline/Abstract/2018/09000/Urinary_Tract_Infection__Should_Cranberry_and.6.aspx


Por: Ana da Costa Couto: Nutricionista do clube de saúde Kalorias EXPO, membro efetivo da Ordem dos Nutricionistas nº 2367N.

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